RPGs de turno e o mercado: qual o problema?

Mesmo com o sucesso dos últimos anos de RPGs de turno como Clair Obscur: Expedition 33 e Baldur’s Gate 3, ainda me parece haver uma certa resistência no sucesso dos RPGs de turno (porque o que não faltam são RPGs de turno de qualidade). Nos últimos anos tivemos alguns sucessos como Sea of Stars, Metaphor, Like a Dragon (que faz mais sucesso pela sua própria “mística”, estética e história, ao meu ver), remakes/remasters de Persona (que já eram conhecidos), etc. No entanto, o sucesso ou o burburinho que esses jogos geram é muito menor, ao que me parece, a RPGs de ação ou jogos de ação em geral, mesmo quando os jogos de ação não estão no mesmo nível de qualidade.




Há, também, uma tendência que tem ocorrido nos últimos anos, de sagas de RPG que eram de turno começarem a terem mais elementos de ação. Trails, uma saga que por tanto tempo foi apenas de turno, começa a colocar combates de ação, tanto em seus novos jogos como nos remakes, apesar do foco principal ainda ser em combates por turno. Final Fantasy é uma saga que tem abraçado cada vez mais a ação, com seu último lançamento, Final Fantasy XVI, estando praticamente semelhante a um hack and slash. A Owlcat games, que produziu excelentes CRPGs como Pathfinder e Rogue Trader, agora parece ter abraçado a ação de Warhammer 40K.

Em eventos de lançamentos de jogos, eu também costumo notar poucos RPGs de turno. No ano passado vi alguns, como Solasta 2 (mesmo com o pouco sucesso de Solasta 1, o que é compreensível, é um jogo de nicho para fãs de D&D e não de muita qualidade), Divinity 3 (que supostamente será de turno e ainda deve estar longe) e Fire Emblem, uma saga caracterizada por ser tática de turno e exclusiva para Switch 2. Enquanto em um evento normal, costumo ver pelo menos uns 4 ou 5 soulslikes, até mesmo continuações de jogos absolutamente medíocres como Code Vein ou Mortal Shell (que vi até fãs de Souls ficarem indignados de um jogo como esse ter uma continuação). Sem falar do Lords of the Fallen que, mesmo sendo um absoluto fracasso nas críticas e na opinião dos jogadores, ganhou seu próprio remake.

Enquanto isso, jogos bons de RPGs de turno ficam esquecidos, ou até mesmo jogos por turno que não são RPGs. Marvel’s Midnight Suns é um EXCELENTE jogo de turnos por carta (com tradução para PT-BR), e ainda conta com grandes heróis da Marvel que poderia ter trazido sucesso para o jogo, mas fez pouquíssimo sucesso e não terá continuações. Triangle Strategy, um dos melhores JRPGs que joguei nos últimos tempos, é basicamente ignorado na mídia tradicional. Enquanto isso, sigo vendo jogos medíocres e alguns clichês de gêneros (principalmente online) fazendo sucesso por aí. É só lembrar do último jogo anunciado do TGA 2025.



                Highguard, o último anúncio do TGA 2025: Um muito original... MOBA shooter pvp.

 

Eu gostaria de saber mesmo o que cria essa resistência com RPGs de turno? São os jogadores mesmo que são tão “preguiçosos” que só gostam de jogar jogos em que tenha uma ação contínua, com parries, esquivas, corrida, sequências de golpes, etc? É o mercado que vê pouco valor nesse tipo de jogo? Um pouco dos dois? Ou eu estou enganado e na verdade os RPGs de turno estão fazendo sucesso tanto quanto os RPGs de ação e jogos de ação?

Dos últimos 3 Game Awards, 2 jogos do ano foram RPGs de turno, mas precisaram ser verdadeiras obras-primas impecáveis para levarem o título de Jogo do Ano, visto que foram os únicos RPGs de turno a conquistarem esse título desde que o TGA começou. Baldur’s Gate 3 é um jogo que brilha até hoje e Clair Obscur dispensa comentários (embora seja um jogo que também misture características de jogos de ação, como parry e esquiva). Jogos que sejam apenas “bons” ou que não atinjam esse nível são, em sua maioria, esquecidos, até mesmo na categoria “Melhor RPG” (onde os RPGs de turno vencedores, além dos dois gotys, foram Metaphor e Persona 5).

Não estou aqui me referindo à quantidade, à falta de bons RPGs de turno. Há MUITOS RPGs de turno bons por aí, sem dúvida. O que me deixa com a pulga atrás da orelha é a falta de sucesso que costumam fazer no mercado comparado a outros tipos de jogo e a falta de continuações de jogos que poderiam ser franquias de sucesso, mas que acabam sendo esquecidos. Será que veremos um Sea of Stars 2, um Triangle Strategy 2, um Marvel’s Midnight Suns 2 nos próximos anos? Tenho minhas dúvidas. Octopath Traveler, ao menos, conseguiu uma continuação mesmo, ao meu ver, não tendo o mesmo nível de outros RPGs de turno de qualidade lançados no mesmo período.


                                Marvel Midnight Suns: Um dos melhores jogos de herói já feitos.

 

Portanto, o que os RPGs de turno precisam fazer para terem a mesma atenção, tanto de jogadores quanto do mercado, que outros tipos de jogos? Ou, pelo seu próprio estilo, estão fadados a ficarem em segundo plano? Como fã de RPGs de turno confesso que isso me deixa um pouco frustrado, principalmente por ver jogos de ação que não apresentam nada de novo ou que não têm tanta qualidade mesmo recebendo muito mais chances e atenção, tanto em sequências quanto em relançamentos com os mesmos tipos de mecânicas (Ubisoft vem fazendo o mesmo jogo faz um tempo). Talvez, como fã, seja apenas dor de cotovelo.

Lembrando que esse é um blog pessoal, não estou tentando ser um especialista aqui e fazer uma análise quantitativa ou qualitativa de RPGs de turno x ação ou algo do tipo, e sim simplesmente algo que eu noto como jogador. Infelizmente minha vida não me permite tempo para fazer esse tipo de análise (gratuitamente). Tudo o que eu escrevi é pura especulação e posso estar errado no que escrevi.

Então pergunto a opinião de vocês: Gostam de RPGs de turno? Acham muito devagar? O fato de a maioria deles levar muito tempo para terminar é um fator determinante? Gostaria muito de saber a opinião de vocês!

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