A expulsão do jogador Marcelo e o exagero da torcida
Ontem, dia 1º de agosto, no jogo Fluminense x Argentino Jrs, válido pela Copa da Libertadores, o jogador Marcelo, do Fluminense, foi expulso ao executar um drible e acidentalmente acabar pisando na perna do jogador adversário, que sofre uma fratura gravíssima, e a imagem realmente é muito feia.
A resposta dos torcedores nas redes sociais foi de absoluta hostilidade a qualquer um que se posicionasse contra o cartão vermelho, como o treinador do Fluminense Fernando Diniz (que se manifestou contra o cartão em entrevista), e o apresentador do Sportv Felipe Diniz.
Eu não vou colocar as imagens da falta aqui porque elas são muito fortes e quem quiser pode encontrar facilmente no Youtube ou no Globoesporte.
A indignação ocorre porque, tanto o apresentador quanto Fernando Diniz apresentam o mesmo argumento: Marcelo não colocou em risco a integridade física do adversário. E isso, para os que têm uma falta de interpretação de texto básica, quer dizer que os dois falaram a lesão não foi nada de mais.
Vamos dar um exemplo fora de futebol: Quando eu abro uma porta, eu estou colocando em risco a integridade física de alguém? Espero que a resposta de todos que estejam lendo seja “não”. Agora imagine que, sem eu saber, há uma pessoa do outro lado da porta, ela cai com o impacto quando eu abro a porta e sofre um traumatismo craniano. É um acidente absolutamente infeliz, mas o fato de que eu não coloquei a integridade física de alguém em risco simplesmente por abrir uma porta continua verdadeiro.
Marcelo não coloca a integridade de um adversário em risco simplesmente por efetuar um drible. Ele acaba, acidentalmente, pisando no jogador porque o jogador chega de carrinho e coloca a perna no caminho. Marcelo não está tentando desarmar o jogador, não está tentando cometer uma falta, não está nem disputando a bola, visto que o drible já havia sido aplicado.
Acredito que a reação passional dos torcedores (dos mais diversos clubes) venha justamente por conta do RESULTADO da jogada: uma lesão grave em um jogador, e a imagem, que é chocante. Só que, ao meu ver, não se pode punir com cartão vermelho um jogador simpesmente pelo RESULTADO da jogada. Não é assim que a regra funciona: “se lesionou, cartão vermelho. Se não lesionou, não.”. Caso contrário, não teríamos cartões vermelhos em jogadas duríssimas que não resultam em lesão, e teríamos cartões vermelhos em lances que nem falta são, como divididas de bola que podem acabar em um tornozelo quebrado.
Em inúmeros jogos, temos jogadas parecidas: jogadores pisando/tropeçando em um adversário após uma dividida, jogadores tentando um lance aéreo como uma bicicleta e acertando o rosto do adversário, jogadores que abrem o braço e acabam acertando o rosto do adversário: e raramente essas jogadas terminam em cartão vermelho, mesmo após a instalação do VAR. Por quê? Porque a maioria dessas jogadas não resultou em lesões, apesar da imprudência e dos jogadores terem colocado em risco a integridade física do adversário (ou tentar um chute aéreo com um adversário por perto não é seriamente arriscar acertar o seu rosto?). Mas como o Marcelo, por pura infelicidade, lesionou gravemente o adversário, a indignação foi total.
Mostrarei aqui algumas imagens (curiosamente, todas do mesmo time. Desculpe torcedores desse time, foi o que eu encontrei ao pesquisar) onde claramente os jogadores apresentam conduta violenta e/ou colocam em risco a integridade física do adversário. Todos os lances tinham VAR, quatro deles inclusive foram esse ano (3 deles recentemente, nesse mês de julho, com 2 valendo vaga para as semi-finais da Copa do Brasil). Em nenhum desses lances o VAR SEQUER CHAMOU O ÁRBITRO para avaliar se seria uma situação de expulsão.
Curiosamente, em nenhum desses lances há a indignação dos torcedores, sendo que o terceiro lance não é nem sequer uma "entrada brusca", é uma AGRESSÃO, ONDE A BOLA NEM ESTAVA EM DISPUTA, ONDE UM JOGADOR CHUTA O OUTRO, e que, ressaltando novamente, O VAR SEQUER CHAMOU O ÁRBITRO e a indignação pela falta de cartão vermelho foi ZERO. Por quê? Porque não houve lesão (e por boa parte da torcida ser clubista, obviamente). E, sinceramente, não podemos pautar as regras do futebol por “tem que levar cartão vermelho se houver lesão e ponto final”. Se isso acontecer, até choques de cabeça podem resultar em cartão vermelho se um jogador se machucar gravemente e o outro não. A regra não funciona assim e nem deveria funcionar, na minha opinião.
E para isso, basta uma simples pergunta: Digamos que o lance prosseguisse e o jogador não tivesse sentido absolutamente nada e tivesse levantado imediatamente. Você acharia lance para expulsão da mesma forma? Acredito que a maioria responderia que não. Duvido sequer que o Marcelo teria tomado cartão amarelo.
Portanto, acho que devemos nos atentar mais às regras: em lances de cartão vermelho, há várias circunstâncias que devem ser observadas: intenção, imprudência, força excessiva, colocar em risco a integridade física do adversário, etc. E, na minha interpretação, assim como na do Felipe Diniz, nenhuma dessas circunstâncias foi observada. Mas, infelizmente, por conta do resultado do lance, e apenas por ele, o cartão vermelho foi aplicado, e não é assim que a regra funciona.
Há alguns que possam considerar força excessiva porque “ora, se ele quebrou a perna do outro jogador, é óbvio que houve força excessiva”. Mas como isso aconteceu? Ele estava correndo, e o jogador, que veio de carrinho, colocou a perna no caminho e acabou tendo a perna pisada. Quando você está correndo, você vai pisar no chão, e óbvio que, ao pisar no chão, vai aplicar força. Marcelo não pode mudar as leis da física. Infelizmente, o adversário deu o carrinho (ao meu ver, é até o próprio adversário que chega na jogada de maneira imprudente) e, ao invés de pisar no chão, Marcelo acidentalmente pisa na perna do adversário.
E, obviamente, houve os comentários exagerados de que o jogador “foi aposentado pelo Marcelo” e até mais fanáticos dizendo que Marcelo deveria ser banido do futebol. Lesões muito mais sérias já ocorreram com atletas muito mais velhos (quem não lembra da lesão de Anderson Silva em disputa de cinturão de UFC? E ele voltou a LUTAR, algo que exige tanto ou mais resistência do que futebol), e tenho certeza que o atleta vai se recuperar e voltar a jogar, embora infelizmente a recuperação será longa e ele ficará um bom tempo afastado dos gramados. Tenho certeza que todos desejamos a ele uma boa recuperação e que ele volte aos gramados o mais cedo possível e sem nenhum tipo de sequela.
Gostaria de finalizar também dizendo que não sou nenhum especialista em arbitragem ou em futebol. Sou alguém apaixonado pelo esporte, assim como por games, e que quero usar esse blog para falar sobre esses assuntos. Esse foi um dos assuntos que surgiu ontem à noite e achei que seria legal fazer um post sobre o assunto. Sinta-se livre para discordar ou concordar comigo nos comentários. E deixo claro também que não sou torcedor do Fluminense (e de nenhum time carioca), então não adianta me acusar de “clubismo”.
E, por favor, não deixe de conhecer meu trabalho em outras redes! Como estou desempregado e faço esse blog com o intuito de um dia ele me ajudar a desenvolver e demonstrar minhas habilidades de escrita para conseguir um emprego na área dos games ou de esportes, quem quiser ajudar financeiramente o blog pode fazê-lo por pix ou se inscrevendo no nosso apoiase!
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Bom texto amigo!
ResponderExcluirReflexão mt interessante, Gamer. Adorei os dois posts :D
ResponderExcluirUau, não sabia do bafafa por causa desta jogada...
ResponderExcluirAnderson Alves - SP
A lesão do jogador foi no joelho, é uma parte bem complexa de se recuperar, porque não é só uma fratura óssea e sim rompimento de tendões e fissura de menisco, o que aumenta a compelxidade cirúrgica e de recuperação.
ResponderExcluirAnderson Silva quebrou a fíbula, uma haste e parafusos é bem menos complexo que reconstrução de menisco e ligamento, portanto essa comparação foge um pouco da lógica
Concordo, não vejo cabimento na comparação entre esse caso e a lesão do Anderson Silva. Até porque MMA é um esporte no qual ambos estão dentro do octógono esperando realmente uma luta, sabendo dos riscos de lesões, fraturas e etc, não em um campo de futebol onde isso (nessa gravidade) é muito mais raro.
ExcluirNo meu entendimento esse pisão do Marcelo foi quase tão criminoso quanto a entrada do Roy Keane no Haaland pai. Ele pode até não ter feito com a intenção de machucar de forma tão séria, mas é muita ingenuidade achar que um lateral experiente como ele, com todos esses anos de carreira, não sabe como se livrar de uma dividida/carrinho assim. Vamos lembrar que ele era o terror dos jogadores mais novos nos treinamentos do Real Madrid justamente porque humilhava eles com dribles excelentes, canetas, e etc. Ele sabe o que fazer e como fazer. Vendo o lance é bem nítido que ele muda o peso do corpo e estica demais a perna. Acredito que ele imaginou que no máximo ia pisar no pé do outro jogador, mas correu o risco e esse foi o resultado. Só não dá pra achar que foi totalmente sem querer.
Não quis dizer que a lesão foi igual a do Anderson Silva, mas porque o Anderson Silva pratica um esporte em que a porrada pega muito mais (literalmente), era muito mais velho (tinha quase 40 anos) e ainda assim voltou a lutar. Muitos jogadores mais velhos que ele sofreram lesões graves no joelho também.
ExcluirE bom, esse comentário da Juju Naninha é absolutaente clubista. Com certeza torce pra algum outro clube do RJ. Todas as fotos que eu mostrei ali são entradas muito mais graves do que as do Marcelo, só não tiveram o mesmo resultado.
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